TEXTO - MARIA LÚCIA ZANELLI
FOTOS - Maurício Coutinho
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou em 2023 mais de 1,4 mil casos de feminicídio, aumento significativo em relação aos anos anteriores. No estado de São Paulo, especificamente, foram registrados 195 casos de feminicídio, crescimento de 5% em comparação com 2022. No ano passado, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo houve aumento nos casos de violência doméstica, com mais de 200 mil ocorrências registradas. Na época da pandemia do Covid-19, cerca de 30% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica, segundo dados do IPEA.
Ameaças, agressões, torturas, ofensas, assédio, feminicídio. São inúmeras as violências sofridas que não começam ou se esgotam nas mortes registradas. Os dados monitorados apontaram 586 vítimas de feminicídios. Isso significa dizer que, a cada 15 horas, uma mulher morreu em razão do gênero, majoritariamente pelas mãos de parceiros ou ex-parceiros (72,7%), que usaram armas brancas (em 38,12% dos casos), ou por armas de fogo (23,75%).
Para evitar a escalada de mulheres vítimas de violência doméstica, a Caravana da Mulher, iniciativa da Rede Nacional de Consórcios Públicos, realizará o Primeiro Seminário Regional para Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e de Gênero através do CONISUD - Consórcio Intermunicipal da Região Sudoeste da Grande São Paulo, no dia 24 de julho de 2024, no Centro Cultural Mestre de Assis, em Embu das Artes.
O evento 'Caravana da Mulher' que reuniu autoridades do poder público, da segurança e da justiça numa coletiva de imprensa, foi realizado no Hotel Sooz, na região central da cidade de São Paulo e teve por objetivo conscientizar jornalistas e profissionais de diversas áreas, sobre a necessidade de expandir a discussão em torno dos motivos e matizes da violência doméstica, que em grande parte atinge crianças e mulheres. Entre os participantes estavam presentes: Coronel Álvaro Camilo (SubPrefeito da Distrital Sé); Brigida Sacramento (Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal da Região Sudoeste da Grande São Paulo - CONISUD); Dra. Daniela Almeida (Delegada do CRECI e Coordenadora do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura de Embu das Artes - CMEC); Dra. Rosmary Correa (Primeira delegada de defesa da mulher em São Paulo - 1985); Dra. Sueli Amoedo (advogada, criadora e responsável pelo Projeto "Pela Vida da Mulher"; Neudir Sudatti (Conselho da Mulher de Itapecerica da Serra); Dra Thaila Luz (Comissão Mulher e Advogada da OAB - Cotia); Carolina Rayol (Marketing da Associação Comercial de Embu das Artes - ACISE); Alba Medardoni (Presidente da Associação Amigos da Zona Norte e Conselheira do CMEC); Vera Tabach (criadora do 1º Troféu da Mulher - 1976); Márcia Mendonça (Vice-Coordenadora do CMEC - Centro) e Raquel Nery, arquiteta, urbanista, fundadora do movimento "São Paulo Restauro e Memória".
Para o coronel PM Camilo, "há necessidade de tomar medidas urgentes, orientando as meninas, mães, professoras, dentro do ambiente escolar, religioso, clubes, para que a situação não se agrave ainda mais. É necessário que todos se conscientizem sobre a real situação do problema. Os meninos e idosos, também, devem participar destes debates, para que vejam que a agressão verbal, física e psicológica está, muitas vezes, dentro do lar e que isto não é correto", salienta.
A delegada Rose afirma que "é preciso, também, dar maior treinamento para os profissionais que atuam na ponta do atendimento como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, investigadores e até delegados. Esta mulher está extremamente fragilizada e ela precisa de acolhimento correto para que ela volte a se sentir segura para falar sobre o seu problema."
Para Fernanda do Rosário, Secretária da Mulher de Embu das Artes, "este primeiro seminário é um marco para que os municípios passem a entender que a violência doméstica é um problema de todos e que afetam a todos."
Brígida Sacramento, Secretária Executiva do Conisud, afirma que "nosso objetivo é que as pessoas que atuam na área saiam motivadas a ampliar seu trabalho e levar mais informações e conhecimento para suas respectivas cidades. O evento é um presente para todas as mulheres com capacitação, energização e conhecimento, ministrado por profissionais extremamente técnicos no assunto."
obilização contra o feminicídio e outras formas de violência salva vidas. Nós já perdemos mulheres demais, e ainda perderemos. É a denúncia incansável que preservará a vida de tantas outras”, disse

Parabéns pela excelente matéria de um assunto tão importante e atual, que vem se propagando ao longo dos tempos e é chegada a hora de dar um basta...
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