Um filme de tirar o fôlego e nos deixar boquiabertos com relação à realidade da saúde mental no Brasil. É Ninguém Sai Vivo Daqui, dirigido por André Ristum, que chega aos cinemas, amanhã, 11.O thriller traz à tona a história sombria dos pacientes do Hospital Psiquiátrico Colônia, em Barbacena (MG). Inspirado no livroHolocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, o longa acompanha a trajetória de Elisa, uma jovem internada à força pelo pai após engravidar do namorado no início dos anos 70. A produção, uma colaboração entre Sombumbo, TC Filmes, Gullane, Geração Entretenimento, Canal Brasil e Karta Film, é distribuída pela Gullane+.
Viviane Monteiro, Arlindo Lopes e Fernanda Marques Localizado em Barbacena, Minas Gerais, o Hospital Colonia foi fundado em 1903 como uma instituição dedicada a tratar de pessoas com tuberculose e depois para doenças psiquiátricas. Tornou-se conhecido pelo público na década de 1980 pelo tratamento desumano que oferecia aos pacientes. O psiquiatra italiano Franco Basaglia taxou a instituição como um campo de concentração nazista. Em grandes vagões de carga, conhecidos como "trem de doido", chegavam os pacientes do Hospital Colônia, em uma época que várias linhas ferroviárias chegavam à cidade. A instituição tinha sido fundada em 1903 com capacidade para 200 leitos, mas contava com cerca de cinco mil pacientes em 1961. Para o Colônia, eram enviados "pessoas não agradáveis", como opositores políticos, prostitutas, homossexuais, mendigos, pessoas sem documentos, entre outros grupos marginalizados na sociedade. Estima-se que cerca de 70% dos pacientes não tinham diagnóstico de qualquer tipo de doença mental. No período em que houve o maior número de mortes, entre as décadas de 1960 e 1970, o que acontecia no hospital chegou a ser chamado de "Holocausto Brasileiro". Estima-se que pelo menos 60 mil pessoas tenham morrido no Hospital Colônia de Barbacena.É neste contexto que conhecemos a história de Elisa, vivida por Fernanda Marques. No começo dos anos 1970, a jovem Elisa é internada à força pelo pai no Hospital psiquiátrico Colonia, por ter engravidado do namorado. Após passar por muitos abusos, Elisa, junto com outros colegas injustiçados, lutarão para encontrar uma maneira de fugir dessa sucursal do inferno. O elenco conta, ainda, com Andréia Horta, Augusto Madeira, Rejane Faria, Naruna Costa, entre outros. O filme, que estreou na abertura do Festival de Brasília de 2023, também passou pelo Festival de Talin, na Estônia, e foi premiado no Social World Film Festival na Itália, ganhando os prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro.
Andreia Horta, Viviane Monteiro, Lulu Pavarin e Marcio AmericoAugusto Madeira, Bukassa Kabengele e Marco Bravo
A escolha pelo preto e branco reflete a ausência de cor na vida dos personagens e ajuda a intensificar o realismo da narrativa. O trabalho colaborativo com o elenco, que vestia e maquiava a si mesmo a partir de um conceito, e as longas cenas em plano-sequência contribuíram para a construção autêntica dos personagens.
Teka Romualdo Bukassa Kabengele e Arlindo Lopes
O tema dos hospitais psiquiátricos ainda, segundo Ristum, é relevante no Brasil, mesmo após a reforma psiquiátrica de 2001. Ele acredita que o filme traz à tona uma discussão necessária e atual sobre os abusos e injustiças cometidos nesses locais. Ninguém Sai Vivo Daqui promete não apenas resgatar uma história dolorosa, mas também provocar uma reflexão profunda sobre os direitos humanos e a dignidade dos pacientes psiquiátricos.
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